Sobre Puto Gallo Conquistador por Antonio Pintos

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Sobre Puto Gallo Conquistador por Antonio Pintos

Puto Gallo Conquistador é a mais recente obra da coreógrafa Tamara Cubas acabada de estrear.
Duvido que estejamos preparados para o embate com esta peça; mesmo sendo espectador habitual de dança, mesmo sendo interessado nas potências do corpo, mesmo estudiosos das histórias dos colonialismos e, muito em especial, dos colonialismos impostos ao Novo Mundo…mesmo assim exige-se uma enorme disponibilidade, desarmar ao máximo as amarras do espectador habitual e se tal for possível o sentimento final é de uma enorme gratidão por quem nos fez entrar e habitar aquele mundo tão estranho e tão encantador.
Primeiro aquele objecto inesperado, aquela trouxa de trapos suspensa da teia como um orgão informe e vindo do passado mais remoto. Depois aquelas cinco personagens vindas do mesmo tempo do obejecto informe suspenso. A partir daqui aqueles corpos emitem sons guturais de animais ou de astros em formação chegados de muito longe e criando um mundo sem lugar, um mundo onde o mais remoto passado co-habita latente no presente. Pode dizer-se que é a história da chacina colectiva dos índios guarani ou a destruição da natureza mas aqueles sons saem pela boca mas vêem do mais ancestral que existe desde que existe vida, carne, sexo, ferocidade, nascimento, cópulas, morte. aqueles sons vêm do fundo dos corpos que emergem da terra branca e desértica e a ela regressam e nela submergem e estão latentes mas podem emergir como um marmoto que abala a superfície das terras. É a terra a gritar de dor,a mesma dor dos corpos que foram dizimados e violentados e eles só possuiam como arma de defesa uma pequena fenda…..e no final a surpresa é de uma tal inteligência cénica…..e agora são os nossos corpos de espectadores que tanto receberam que regressam ao repouso merecido e gratos.

Tipo: Crítica
Autor: Antonio Pinto Ribeiro
Medio: Facebook
Fecha: Setiembre 2014
Año: 2014
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