O impacto da Multitud

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O impacto da Multitud

Sob o sol imperdoável do meio dia, o palco vibrava. A energia solar fazia o chão pulsar, até que aos poucos a pulsação tornou-se sonora e o som tornou-se passo. E o passo, impedimento. O impedimento, imobilidade. O corpo, então, imóvel – abrigou-se no cansaço e na gravidade. A gravidade pesou nos vértices do esqueleto. Os joelhos dobraram, as cinturas torceram-se, a coluna pendeu-se e o corpo… bom, o corpo estabacou-se. Todos eles estafados, caíram.
Como sacos de merda.

A performance Multitude, da coreógrafa uruguaia Tamara Cubas, participou da Bienal SESC de Dança e impactou o público. Uma performance longa, de mais de uma hora, contava com pelo menos sessenta performers. Estar na plateia foi um estado perturbador. Não é fácil assistir aos corpos limitados a um palco imaginário, onde ali tudo poderia acontecer.

Onde primeiramente havia o respeito ao espaço do outro, passou a ser invasão. Onde havia cerceamento, também coube liberdade. Onde os corpos compartilhavam-se, houve conflito. Onde instaurou-se o caos, a rotina ordenou. O corpo foi ritmo, foi combate, foi descoberta e foi assalto. Se parecia haver alguma disciplina no modo de mover-se, de repente, os corpos tomaram as rédeas de suas individualidades. Onde todos se desconheciam, abriu-se conexão. De olhar, de compasso, de pulsação, de encontro e desencontro, de reconhecimento. E, então, mesmo a violência ocupou-se dos corpos, despidos de qualquer racionalidade. A falta de razão despiu também a censura.

A dança tornou-se violência: o movimento queria incomodar sobre o linchamento social a que permitimos uns aos outros diariamente.

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Tipo: Crítica
Autor: GIOVANNA ROMARO
Fecha: Setiembre 2015
Año: 2015

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