TAMARA CUBAS X ARTHUR MOREAU = UMA INTEGRAÇÃO ELABORADA PELA PARTICIPAÇÃO

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TAMARA CUBAS X ARTHUR MOREAU = UMA INTEGRAÇÃO ELABORADA PELA PARTICIPAÇÃO

Tamara Cubas selecionou estudantes de artes para serem intérpretes do Multitude. Ela desenvolveu essa coreografia que já foi apresentada em outros países. Ela instruiu uma coreografia a partir de um modo de interação social homogêneo no mundo cuja expressão poética sugere, mas não apenas isso, um modo outro. O primeiro modo, é bom destacar, é um modo de relação de trabalho intrínseco a nossa sociedade.

Vejamos. A participação é uma sociabilidade que se constitui de regras pré-estabelecidas e com a posterior soma de indivíduos que comportar-se-ão e/ou serão avaliados a partir desse paradigma. Já na interação, cada um(a) do grupo constitui o mesmo potencial de contaminar as ações gerais. Ou seja, nesse caso, todxs podem igualmente, de modo descentralizado, distribuído, considerando peculiaridades de cada um(a) e a saúde de todxs. Pois bem, eis (mais uma) ficção cênica que trata, ou até mesmo que há alguma apologia, ao trato à interação social que é cada parte e aquilo que liga cada parte.

Em Multitude, o grupão faz tanto, cada parte, os mesmo movimentos ao mesmo tempo, no mesmo sentido, às vezes com ações ataque em tempos intercalados, como também se dividem em grupos, não necessariamente com cada integrante desses próximos entre si, mas com sua função momentânea específica. E as etapas parecem convidadas ou disparadas pelo som, que são ruídos, ou melhor, faixas de ruídos, como se fosse um álbum composto por várias faixas onde, cada uma, suscita, de leve, algum ou alguns sentidos. Mas isso está colado intimamente à coreografia. O som está mesclado intimamente com ela. Como se aquele fosse um zumbido produzido pelo grupo de alta interatividade e esse zumbido é a comunicação dxs integrantes dessa sociedade que escolhem os gestos adequados para cada momento.

A interatividade acionada pela interação, quando é tudo construído na medida em que as dinâmicas forem acontecendo, onde as resoluções para os problemas que emergirem são rapidamente escolhidas de acordo com o fluxo de contato entre as partes e com retro alimentação de reforço, é como o cérebro trabalha. Então não está ligado com a escolha da maioria e a obedecer o que a maioria decidiu. A interação está ligada à sensibilidade e às emergências.

Esse enxameamento parece ser uma sociabilidade que vale à pena nós investigarmos e, quem sabe, exercitarmos. O modo como nos tratamos tendo alguns objetivos gerais está, ainda, por demais capenga. Nossas regras sociais, nossas coreografias sociais estão, ainda, nos diminuindo, desvalorizando muitas inteligências que estão à margem das regras que valem para tantos lugares. Essas regras são conhecidas, mesmo que ignoradas, e, por isso, precisam ser claras e difundidas. A interatividade distribuída é mais complexa para cada umx na multidão estar cognitivamente apto. E esse título é muito feliz, pois entender ou compreender uma multidão é um grande desafio no nosso tempo. E, talvez, assistir e prestar atenção a uma pequena multidão de enxameamento e refletir sobre ela possa nos despertar algum aprendizado para participar de modo coeso de outra. Mesmo que a participação tenha uma longa vida, a interação distribuída está, aos poucos, emergindo e Multitude é um reflexo interessante disso.

Arthur Moreau é artista e integrante do 7×7.

http://bienaldedanca.sescsp.org.br/pt/tamara-cubas-x-arthur-moreau-uma-i…

Tipo: Crítica
Autor: Arthur Moreau
Fecha: Setiembre 2015
Año: 2015

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